(…) É curioso. Ao crescer pensamos que seremos mais audaciosos, verdadeiros e não deixaremos nada passar, aproveitaremos cada gota de vida, mas na maioria das vezes estamos enganados, permanecemos fracos, assustados, sendo apenas crianças medrosas em corpo de adulto, e isso é assustador. Não há como ponderar a vida, tampouco separá-la em partes exatas que serão vividas aos poucos, em prestações suaves para que possamos bebericar do vindo da existência. O contrário de quando somos jovens, tementes a nossa rebeldia, levando na ponta da língua o sabor da efemeridade da vida, do amor, do ódio, até mesmo do prazer. Ficamos tão ansiosos para viver tudo que desejamos, pois no íntimo da nossa alma, em plena consciência, sabemos que ao passar dessa fase, regressaremos ao mundo das ideias, da imaginação e os “se” adentrarão nos discursos, nas brigas com nosso parceiro, nos términos do namoro, nos fracassos, e principalmente nas justificativas que tentarão, cinicamente, esconder o medo em tentar.
— Faah Bastos (via indomavel)