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Fenecer no inverno, padecer entre a neve dos seus beijos esquecidos.
Ressurgir de bom grado no calor dos seus encantos que regressam involuntariamente ao passar inquietante da estação.
Tornar-me uma águia e cruzar universos, resplandecer na alma da cantoria poética na vida que se esvaiu entre os dedos.
Num frio tenebroso de uma contemplação de medos, se faz presente o musgo dos beijos.
No cinza do céu que na tarde morria,
Quando à soleira da minha porta ficava
Bom senhor meu.
E o coração, que de prazer ainda bate,
Grita em euforia de louco,
- “Ora, bom senhor meu, me resgate”!
Em você vale a pena navegar,
cortar mundos inconstantes,
refazer o tempo em seus olhos,
mergulhar no incerto,
amanhecer em seus braços.
Em você vale a pena acreditar,
no doce compasso
dos olhos tristonhos,
deixar renascer a palavra
que não mais some:
o amor.
Chorei,
não porque doía,
mas porque precisava
encontrar você em
meio as minhas lágrimas
vazias de tudo - até mesmo do mundo.

Meus olhos serpenteiam os horizontes secretos
das fragrâncias divinais do seu mundo.
Mapeiam as fontes cristalinas da saudade
que transbordam entre trovoadas urgentes,
em nosso céu abandonado por cometas.

Permaneço fincada nos jardins
das memórias que eclodem mentiras
sobre os possíveis retornos do mesmo
crepúsculo, compartilhado com
as andorinhas negras que batem suas asas,
despertando nossos cadáveres poéticos.

Somos bastardos da palavra eternidade;
obrigados a consumir o bálsamo do
amor que se desfaz em cada lufada
de vento, batendo na porta dos nossos
céticos olhos cerrados.

E são nossas mãos, que ao desfile
de toques em corpos,
ecoam imortalidade.