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Meus olhos não se cansam de encontrar suas cartas de amor em branco, varrem a casa em busca de vestígios concretos da sua presença ou que um dia em um passado distante, você por aqui andou. Tenho necessidade de provar ao meu coração que sua estadia em minha vida não fora somente uma loucura constante dos meus dedos que enlouqueciam a escrever sobre nós, nas páginas velhas daquele diário que você escondeu. Sempre tenho medo de ser laçada pela incerteza como uma borboleta com as asas quebradas, incapaz de voar para longe da verdade que anda tentada a gritar ao mundo que você é fruto da minha solidão. Mas como pode, amor? Como é possível ser sonho quando sinto o sabor delicado dos seus lábios a caminhar por minha pele pálida de amor, tão alva como se a própria lua houvesse decidido que habitaria apenas meu corpo, os caminhos epiteliais das minhas vergonhas que se tornaram íntimas dos seus dedos por tanto tempo?
Não tenho força suficiente para provar que você não fora somente um pássaro azul que pousou em meus cílios, cerrou as pálpebras da minha sabedoria e certeza, e voou assim que o dia nasceu após longas semanas de amor em pleno escuro. Tragédia, com certeza. O amor sempre se finda em uma tragédia inusitada, dois corpos se amam, e um vai ao chão. Mas dessa vez não ouso sussurrar sequer uma palavra sobre a morte inevitável do meu sonho, dos montes perfeitos que escondiam seus olhos do mundo, aprisionando sua presença apenas em mim, em nossa casa, agora somente minha. Será que apenas meu coração desesperado em batimentos apressados não serve como prova concreta da existência de um homem que levou as rimas do meu poema inacabado?
A primavera tem chamado meu nome, meu pássaro azul, porém tenho medo de sentir o calor do sol em minha pele ainda malucada por suas juras; medo de me perder no mundo, assim como o resto da humanidade, e esquecer a magia de amor que descobri contigo entre sonhos.
Fica aberta a janela à espera que você volte.
Meu grito ecoa pelos cantos da sua alma, refazendo túmulos com seu nome – amor. Não erguem mais pilares para saudar o sentimento, fica somente entre as ave marias vomitadas a saudade entornada pelo cálice da palavra. Estamos sedentos por uma liberdade tardia, uma alforria de corpos que não se suportam como verdadeiros pilares da consternação de nós dois. Lá se vai a menina com os olhos retraídos, o coração abarrotado de rabiscos e na alma a espera de uma colisão de supernovas. Passos desmedidos tentam trilhar a saudade que fica entre a relva dos segredos, nas tormentas dos sussurros, na melancolia de uma passado esquecido. Nem pintura, meu amor, nem retratos, nada fica para evidenciar o passado; fotografias que envelhecem em uma caixa qualquer no canto do armário, entre remédios e bebidas que embriagam o corpo que falece.
Lá se vai a andorinha sem asas ornamentadas, perdidas no calço de uma liberdade aprisionada. Não sente os pés, não bate as asas, lá se vai a andorinha menina, perdida em si, na busca do amor que se desfez no lançar das horas longas banhadas com as lágrimas das juras poéticas que nela ficaram. Lá se vai a mocinha, com o grito aprisionado, moribunda de nós, supostamente envenenada pela dor.
Você sobrecarrega os pilares de sustentação da palavra amor, interrompe o meu discurso de salvação quando mais sinto-me empolgada; tropeça em meu vestido, segura nas alças e arranca-as com o estímulo em me ver nua. Não sei porém, qual rosto tem usado, o tamanho das tuas costas, tampouco se desafina na calada da noite quando tenta cantarolar as cantigas de amor cheias de partidas, ao pé do meu ouvido descuidado. Você não existe em olhos reais, somente mapeia ilusões e as prende no teto do meu quarto, como um vilão em busca da ressureição dos meus desejos, naufragando divinamente em meus sonhos congestionados – filas e filas de segredos.
Você salta de um galho a outro em meus pensamentos, fazendo moradia em minha insanidade, norteando as novas trilhas, marcando com ferro a sua necessidade; construindo muros de proteções para o meu coração com folíolos de coloração avermelhada, envoltos na pubescente quando novato em minhas angústias. Roxas, vermelhas, azuis, róseas, multicores se casando, formando linhas coloridas em meu céu acinzentado, desfazendo as nuvens, redescobrindo fontes de juventude. Excito-me e embriago as minhas mentiras com suas juras de amor, enfatizando os meus conceitos de que há mais dor do que salvação na palavra amor.
Você sobrecarrega os pilares de sustentação da palavra amor, interrompe o meu discurso de salvação quando mais sinto-me empolgada; tropeça em meu vestido, segura nas alças e arranca-as com o estímulo em me ver nua. Não sei porém, qual rosto tem usado, o tamanho das tuas costas, tampouco se desafina na calada da noite quando tenta cantarolar as cantigas de amor cheias de partidas, ao pé do meu ouvido descuidado. Você não existe em olhos reais, somente mapeia ilusões e as prende no teto do meu quarto, como um vilão em busca da ressureição dos meus desejos, naufragando divinamente em meus sonhos congestionados – filas e filas de segredos.
Você salta de um galho a outro em meus pensamentos, fazendo moradia em minha insanidade, norteando as novas trilhas, marcando com ferro a sua necessidade; construindo muros de proteções para o meu coração com folíolos de coloração avermelhada, envoltos na pubescente quando novato em minhas angústias. Roxas, vermelhas, azuis, róseas, multicores se casando, formando linhas coloridas em meu céu acinzentado, desfazendo as nuvens, redescobrindo fontes de juventude. Excito-me e embriago as minhas mentiras com suas juras de amor, enfatizando os meus conceitos de que há mais dor do que salvação na palavra amor.
Ele nunca escreve nada sobre mim.
Esquece todos os meus trejeitos, minhas manias, olvida-se até mesmo de dizer meu nome, tampouco o rabisca na última página da sua agenda. Eu não estou nas entrelinhas do seu novo romance; não sou lembrada quando suspira feito um tolo com os olhos perdidos no céu, procurando respostas para as angústias que teima em sentir, sempre que fecha um livro sobre o amor. Eu sou o vazio nos seus dias e não consigo preenchê-lo com nada, muito menos com lembranças. Tornei-me a porta que fecha um quarto abarrotado de memórias desnecessárias, páginas e páginas em branco de nós. O tempo me transformou em uma nota musical produzida com violência por dedos nervosos que lutaram durante toda a música para não tocar, mas inevitavelmente tornou-se o fim da melodia suprema de um coração despedaçado. Sou o resto de café em sua xícara, desprezado por não me manter aquecida, morna aos seus lábios, somente fria e fria; aquele casaco velho que você adora, mas não lhe serve mais, deixa de fora seus pulsos. Eu não lhe protejo mais, nem sou capaz de me proteger, talvez por isso me doa tanto ao que deixe de ser para você, para mim, para um nós que não existe, arrancado de qualquer jeito dos capítulos finais da história de amor. Sou um nada esperando ser resgatada, necessitada e moldada de acordo com suas necessidades, pois longe de você me torno reta, sem curvas, sem novos destinos, apenas um mapa amplo com uma única estrada que nos levará ao nada.
Ele nunca escreve nada sobre mim, porque talvez ele não queira escrever sobre nós.
Eu vou amar você acima dos montes possíveis dessa vida ou de outra além de nós. Não haverá espera em nosso amor, nem brigas acerca a demora das estações. Estamos sobrevoando a vida do mundo, distantes de todos os habitantes que vivem correndo pelas vielas sujas das cidades abarrotadas de palavras. Continuaremos aqui, cortando nuvens, tocando estrelas, de mãos dadas, cada vez mais próximas ao divino, Àquele que nos uniu com um sopro do destino, quebrando todas as mágoas deixadas pelo passado de cada um de nós. Ao seu lado, meu amor, a vida segue um rumo natural de água caindo por entre as pedras banhadas com musgo e plantas marinhas. Dispensamos continuar com a cabeça mergulhada no egoísmo, no contar das horas, lutando por um futuro incompleto. Largamos o mundo para nos perder dentro de cada um. Eu habito seu interior, faço choupana em tudo que há vago em você, preenchendo as lacunas, ocupando os vazios e afastando de nós toda a solidão que antes era a nossa companhia. Ao seu lado, redescobri o sorriso, a verdade que tanto tinha medo de voltar a declamar. Amar você é a sensação capaz de me transportar para mundos distantes da realidade, erguendo castelos de beijos, olhares apaixonados e carinho, até mesmo de dengo – essa mania deliciosa que sempre encontro em você.
Não há abrigo mais seguro do que seu peito, meus dedos entrelaçados em seus pelos, agarrando com força tudo que me mantém protegida em um mundo que não confio, que luto para não fazer parte completamente. Você se tornou absolutamente tudo em mim, para mim e por mim. Pensar no amanhã é pensar em você ocupando todas as estradas da minha vida, indicando o rumo certo para a felicidade. Amar você é uma dádiva e jamais voltarei a desconhecer o milagre – encontrado somente em você.

A eterna luz em mim - Faah Bastos (via indomavel)